15/10/2016

Coração Renovado



Um dia, doeu-me o coração. Tinha sido atingido por uma seta certeira, proveniente de um qualquer capricho da vida. A vida tem assim destes caprichos cruéis. Atira setas a alvos frágeis. Diria até que o faz por maldade, talvez. Mas possivelmente, não. Possivelmente, o propósito é mesmo outro. Eu só sei que o meu coração doía.
E eu não queria um coração dolorido. Resolvi livrar-me dele. Rasguei o meu peito e arranquei-o com todas as minhas forças. Deitei-o fora e despojei-me assim das dores. Senti-me aliviada por instantes. Pensei que podia viver sem coração. Naquele momento de alívio, achei que era melhor assim. Mas logo comecei a sentir um vazio no meu peito. Um vazio que era o buraco deixado pelo coração. E o buraco também doía. E crescia. E à medida que crescia, a dor aumentava. Percebi que não valia a pena ter arrancado o coração e perdi-me um pouco de mim.
Até que num outro dia, outro qualquer capricho da vida devolveu-me o coração. Vinha renovado, livre de dores. Trazia algumas cicatrizes, é verdade. Mas dei-me conta que essas cicatrizes o tinham fortalecido.
Não, nunca mais quero viver sem coração!  



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