11/06/2019

Será?...

Fotografia encontrada na net sem referência ao autor 


          Palavras ditas, foram muitas, mas foram principalmente as não ditas que eternizaram os momentos em que as almas se tocavam. Das mãos escorriam letras, que o coração acolhia no mais recôndito dos seus recantos, e do corpo, a reclamação de presença! Presença que encurtasse a distância e abrisse os braços à medida de um abraço. Mas tudo isso foi há tanto tempo… Será que ainda te lembras do que é a eternidade?



30/03/2019

A noite ofereceu-me uma flor!



Envolta em sombras, chegou.
Com ela, os recantos
onde me refugio nas horas de solidão.
- Oh, fiel companheira
dos mistérios adentrados com paixão,
só tu me sabes levar
por todas as ondas da terra e do mar
até ao meu intimo ser.  
Porque há tanto de ti em mim…
desde as trevas onde nos perdemos
nos momentos de dor,
até aos loucos delírios onde ardemos
sem nenhum pudor.
E nas alcovas que protegem o amor,
me ofereces uma flor!




07/03/2019

Dia de luto...


Era uma vez um país, onde se decretou um dia de luto nacional – um entre muitos outros – pelas vítimas de violência doméstica. Nada contra o luto, até porque é importante homenagear os mortos e se isso servir para sérias reflexões, ainda melhor. Mas não seria mais adequado tomar medidas mais práticas e imediatas? Mudar leis e\ou fazer com que sejam escrupulosamente cumpridas, talvez… é que neste mesmo dia – o tal do luto nacional contra a violência doméstica – lêem-se notícias que dizem haver quem de direito a decretar visitas de agressores a menores resguardados em casas de abrigo, pondo em risco as vitimas.
Com certeza, urge reestruturar a sociedade e as mentes!



19/12/2018

Divagações

Frida Kahlo and Chavela Vargas, 1950s

Um sorriso sincero
Solta-se da minha alma plena
Em aberto para a tua
Que se estabelece em mim
Como o sol do mundo
Ironia de uma existência
Em tudo sem o ser vivente
Mas o que é que isso interessa
Na essência que se perde
Se não há o gargalhar da vida




07/06/2018

Espelhos do olhar...

Imagem encontrada na net sem referência ao autor 

Olhar deslavado, espelho de ti
Deambulante nesses becos
Que te consomem até ao fim

Tua inocência há muito perdida
Revela-se agora nos ecos
Da tua voz profunda e urdida
Na miséria do ser passageiro
Preso aos ilimites da ambição
Aproxima-se o suspiro derradeiro
Se não se intervir no coração
Daquele que é o bem primeiro

Essência de todas as vidas
Não há como não o resgatar
Antes que se faça tarde
E haja alvoradas invertidas
Impossibilitadas de recuperar
O amanhecer mais profundo
Na fogueira que ainda arde
Para dar luz ao mundo 

Respeite-se o próprio Eu
Nas investidas da evolução
Para que o universo seja seu



04/06/2018

Viagens

Imagem encontrada na net sem referência ao autor 

Envolta em fulminantes paixões, percorro campos de intensa fertilidade… e vou ao fundo de mim. Umas vezes à deriva, outras por percursos estrategicamente definidos, há uns momentos em que contemplo jardins e trago comigo o perfume das flores e outros em que vou às profundezas do desencanto e trago rasgadas na pele as cicatrizes dos espinhos. Mas sempre com a certeza que é plena a descoberta. Plena e enriquecedora, porque cada viagem é uma lição.
Só não quero é ir em vão, porque ir em vão é nada e eu quero tudo. Tudo o que o meu Eu possa aprender. Quero o equilíbrio a que me obrigam os declives dos vales e o domínio das vertigens nas subidas às montanhas. Quero a acalmia da planície e o ritmo das ondas do mar, o frio e o calor, a chuva e o sol.
Quero ser eu… ser eu até morrer!  




23/05/2018

O Sonho do João - Parte IV

Pintura de Nívea Lopes Prado


Viu um mundo desconhecido.
Tão diferente e tão igual, na beleza
e nas sensações que experimentou.
Sentia-se bastante mais enriquecido,
quando voltou para  a terra
e desceu da estrela, com total destreza.
Despediu-se da companheira
e no momento, houve algo em que pensou.
Algo que o fez sentir tristeza.
Em algumas zonas do planeta, viu guerra.




Não era bonito de se ver,
imagens de tanto sofrimento.
Aqueles senhores que fazem a guerra
não teriam nenhum sentimento?
O João pensou que, com certeza,
haveria uma maneira de resolver
os conflitos dessa gente grande.
Trocar por esperança, a avareza
do mal que se expande
e entrega-la às crianças a crescer.