16/01/2017

Tempestade


Fotografia de Václav Širc

              Deixa! Deixa que a tempestade venha e me inunde por dentro. Deixa que me arranque para sempre os resquícios daquele deserto, que me secou os sentimentos. Mesmo que venha forte, deixa que venha. Só assim ficarei livre da guerra dos tormentos.
            Porque eles estão arreigados em todos os momentos e a minha força é pequena para que os desfaça, simplesmente. Preciso da força da tempestade para os arrastar, longinquamente. Que os leve, que os derrame ao vento. Para que atravessem montes sem voltar para trás, ou marés em contracorrente.
            Deixa vir a tempestade, para que eu possa seguir livremente!    



12/01/2017

O Tempo da Vida


Fotografia de Lyubomir Bukov

Não é no tempo que está a vida.
Ah, pois… não é!
Não é no tempo que respiramos,
ou no tempo que andamos por cá.

Porque a existência é sempre coibida
a ser apenas o que é!
Mas não é vida, se nela não amamos,
não sentimos, nem sequer nos doamos!

Há tanta vida na hora, como no minuto.
O tempo é astuto.
Ludibria o ser com o estar, na idade
e tenta fazer crer na longevidade.

Mas a longevidade é tão efémera,
como o instante.
Existir não é viver, é só a matéria.
Existir é apenas figurar estanque.

Por isso, não há vida na existência,
nem imortalidade.
O tempo é só mera coincidência
na escalada para eternidade.