17/01/2013

Quem me dera ser só espírito ...


Quem me dera ser só espírito… irrequieto, rebelde, contestatário. Como lhe queiram chamar. Mas ser espírito. Trilhar os caminhos do oculto sem regras e voar para bem longe do convencional, navegar num barco à deriva até à fronteira do caos. Não gosto do que é certinho. É previsível de mais. E eu não gosto do que é previsível, não me deixa dar largas à imaginação, não me deixa criar novos mundos. Eu quero criar novos mundos. Mundos sem fachadas, sem convenções, sem regras que são quebradas em surdina.

Quantos são os muros que nos prendem!
 

08/01/2013

Partilhas

 
Dos momentos solenes…
sou eu que os faço…!
Não, não são os de toda a gente,
são apenas meus… e de quem eu gosto.
Porque gosto da entrega,
sem disfarces e sem fingimentos,
gosto de partilhar sentimentos, apenas…
partilhar incondicionalmente!
Gosto de dar porque sim,
de receber sem pedir… coisas sem valor,
gosto de partilhar com amor,
com paixão, com desprendimento,
- que não se amarra o sentimento –
com a alma plena por dentro…!
É assim que eu gosto de fazer
a solenidade do momento!

 

24/10/2012

Capítulo 78 - Uma obra, mil autores

Esta é a minha participação em Uma obra, mil autore. Uma iniciativa de Pedro Chagas Freitas aberta a todos os que gostam de escreVIVER.



Capítulo 78

(Luisa Vaz Tavares)

Era, agora, só um. Ou menos que um. Afinal que nesta aritmética do amor o resultado nunca é linear. As perdas são sempre mais perdas e os ganhos maiores que um simples algarismo. Ou dois. Ou três, ou quantos cabem num universo.

Ai, Madalena, Madalena… quantos dos nossos sonhos se esfumaram!... E porquê? Porquê? Diz-me porquê. Porque sucumbimos nós às convenções de uma sociedade retrógrada? À mesquinhez dos espíritos, ao espartilhamento das almas, às aparências ostensivas de felicidade. O nosso pecado era amar. Tão só isso, amar! Procurámos refúgios e subterfúgios para que ninguém nos condenasse na pureza do nosso segredo, tolerámos gajos nas nossas camas. Coitados, não sabiam eles que eram as máscaras das nossas essências, daquilo que verdadeiramente eramos. Amantes de espírito e alma. Pois, que o corpo é fácil de partilhar, agora a alma, isso já é outra coisa. Partilhar a alma é a profundidade que rompe a pele.

O Luís, lembras-te do Luís? Encontrei-o logo ao sair da prisão. Foi dos poucos que me rompeu a pele. Ainda cheguei a pensar que me apaixonaria por ele, mas não, não era esse o meu credo. O meu corpo, a minha alma, todo o meu Ser, rezava por outra cartilha. A tua cartilha, Madalena. A nossa. Aquela que escondíamos no meio dos nossos lençóis, embrenhada na lascívia do nosso segredo. Nunca a lascívia se apresentou tão pura. Sim, que o nosso amor era puro. Apenas profanado pelo segredo de uma sociedade hipócrita.

Quanta hipocrisia, meu amor! Quisemos ludibriar o destino e foi ele que nos ludibriou a nós. Separando-nos sempre. Primeiro por aqueles muros da prisão, e agora… ai agora, separou-nos pela ténue linha da vida.

O que é que eu faço, minha Madalena? Continuo a fingir que a palavra lésbica não é o conceito que me define? Ou dispo o meu corpo para que o mundo o coma enquanto trespasso a linha da vida? E… espera por mim, Madalena!

- Teresa… Teresa… acorda mulher. Vá lá, que tens de ir à polícia. Querem-te lá…
 

07/08/2012

Obscuridade


Que sombras são estas
Que me estão a tirar a luz?

Já não há dignidade
Já não há sensibilidade
Tudo é tão superficial
O Homem trai
Sem culpas, sem remorsos
O seu próprio ser

Destroem o universo
O pilar que os sustenta
Não querem saber
Se ferem, se matam
É tudo uma morte lenta
Que eu não quero reconhecer

Nesta morbidez do sentir
Eu já não me revejo
Já não acredito nas almas nobres
Se é que as há…
São só espíritos pobres
De usar e voltar já

24/06/2012

Universos de Mim I


Como num filme
Andei num mundo paralelo a mim
Um mundo onde me perdi
Em voltas e voltas
Que nunca mais reconheci
Sem o sentido que me dá o norte
Abandonei-me à minha sorte
Em momentos
Tive medo de não poder voltar
Perdida que estava no labirinto
Do meu próprio estar
Mas não podia ficar
Perdida para sempre nesse mundo não meu
Não o queria, não o reconhecia
No universo que sou eu…


30/05/2012

UNIÃO de Carolina Lemos

"... Baseada nestes três parâmetros, - Sonhar, Naufragar, Esvoaçar - a Carolina construiu este livro que é no fundo um relato ao espelho de um lema de vida escolhido e ao mesmo tempo intrínseco no seu próprio ser. Sonhar, seguir os sonhos e com eles avançar no caminho da vida sempre procurando vencer, acreditar em horizontes por descobrir e fazer desses horizontes metas a alcançar, são apanágio das mentes brilhantes que não querem passar pelo mundo em vão e a Carolina é uma dessas mentes que não vai passar impunemente pelo mundo, ela vai deixar marca. Pela determinação, pela força, pela vida com que enfrenta a vida...

... Tudo isto se traduz num certo modo de viver, autentico, único e imutável, tudo isto se traduz num sorriso que conquista o mundo. Tudo isto é a Carolina…

…e muito mais. Tanto que cada leitor descobrirá neste livro um significado feito à sua medida."


24/04/2012

(im)Perfeição


Onde está a perfeição?
Será que ela existe…
alguém a tem?
Eu sei que não há ninguém perfeito
Ainda assim continuo a acreditar
Porquê, se eu própria não o sou?
Porque é que eu,
Que sou tão imperfeita,
Ainda acredito…
Em amores perfeitos, pessoas perfeitas,
Ideologias perfeitas…
Porque ser perfeito é
A perfeição de ser imperfeito!