30/11/2011

Até Amanhã


                Agora, à hora que a lua se levanta,
                quero adormecer nos teus braços,
                serenidade!
                Vingar-me dos atropelos deste dia,
                soltar-me dos laços e enlaces
                da ansiedade.
                Vestindo somente raios de luar,
                quero despojar-me do meu corpo
                dolorido.
                E, apenas alma, percorrer a noite
                envolta num sonho colorido e
                transcendente,
                até a um amanhecer reluzente,  
                uma alvorada que ainda não descobri
                para mim…
                Que amanhã é um novo dia…

20/11/2011

coisas pequenas, Gente Grande


                         Por entre as gotas da chuva



                         caminhei…


                         nas ruelas da minha mente.


                         Encontrei


                         coisas, encontrei gente.


                         Gente grande com coisas pequenas,


                         mas também,


                         coisas grandes com pequena gente.


                         Vi um universo desproporcional,


                         injusto, sei lá mais o quê…


                         Fiquei cega como quem não vê!


                         Indignei-me,


                         vi um mundo desigual.


                         Sem entender que a diferença é normal.


                         Que as coisas pequenas são para,


                         gente grande, apenas!


11/10/2011

Ah, e então?


                                         E se você dormisse? E se você sonhasse?
                                         E se, em teu sonho, você fosse ao paraíso
                                         e lá colhesse uma flor bela e estranha?
                                         E se, ao despertar, você tivesse a flor
                                         entre as mãos? Ah, e então?
                                          (Coleridge)


                Ah, eu tenho uma flor
               Uma flor de cor indefinida
               E bela… tão bela
               Cheira a magia
               Ou a sonho, talvez...
               Tenho-o entre mãos
               Trouxe-a do paraíso
               Quando fui lá passear

               Não existe?
              Quem disse que não existe?
              Eu estive lá
              e trouxe de lá esta flor
              Fica logo, ali
              À distancia da magia de um sonho!

01/10/2011

Há Muitas Canções de Amor


... E ao longe o mar!

Canta melodias de encantar.

O meu sentir

que hoje só se entende musical,

pauta de mil tons

apenas para quem o escutar.

Desliza pelas ondas

de um estado de alma

que se tende a eternizar.

Encantamento por uma canção

serena e completa !

Falando de como se conjugam

todos os verbos amar.



Pois, que amar não há só um!…


13/09/2011

Romances de Cordel... Ou Não!


“ Jogos de Sedução”, “As Regras da Sedução”, “O Protector”, “Casamento de Conveniência”… há quem lhe chame literatura de cordel mas a verdade é que vendem que nem pãezinhos quentes. Tratam o amor á moda antiga, os rituais de sedução, a poesia, o romantismo que nos dias que correm se vão perdendo cada vez mais. Já não há tempo para namorar no jardim ou passear de mão dada á beira-mar, agora anda-se, constroem-se relações muito bem ponderadas e calculadas… e o imprevisto do amor? Aquele nervosismo miudinho á espera de uma palavra que nunca mais chega ou aquele arrepio ao toque de um olhar? …

Estará aí a chave do sucesso para estes romances que, com uma escrita mais ou menos vulgar, nos enredam até ao mais ínfimo pormenor nos rituais de sedução, paixão, enamoramento, perdidos ao longo dos tempos?

Dos livros referidos li “Jogos de Sedução” e “Casamento de Conveniência” e gostei. Não considero que haja livros mais ou menos aconselháveis, tudo depende do gosto e das expectativas de cada leitor.

08/09/2011

O Vazio


O vazio é imenso…

Ocupa horas, dias, vidas inteiras

Nada ocupa mais



Ocupa espaço, tempo, sentimento

Ocupa o ser por dentro

O vazio ocupa imenso



O vazio não deixa lugar para nada

Entope a entrada

De outro qualquer sentimento



O vazio ocupa imenso…


05/09/2011

Labirintos Onde Me Perco


Não… não, eu não posso continuar neste labirinto que me enlouquece mais e mais a cada minuto que passa. Tenho que encontrar a saída que conduz à liberdade, à minha liberdade. Aprisionei-me, sem me dar conta, na teia que eu própria teci, como a aranha que tece a sua fortaleza com fios que se desfazem com um simples sopro de vento.

A minha pseudo-fortaleza também ruiu antes de eu mesma abrir os portões e acabei ficando soterrada nos escombros que se transformaram neste labirinto onde me perco todos os dias um bocadinho e aumenta a minha angústia de não ter a força para caminhar até à saída em liberdade, mas tenho que a arranjar, construi-la, procura-la, sei lá. Sob pena de ficar perdida para sempre, tenho que arranjar a força para caminhar até à saída que dá entrada no espaço livre onde posso passear. Viver! Viver sem o medo de não conseguir mais voltar.