26/06/2011

Coração Imperfeito


O meu coração não é perfeito mas eu gosto dele assim, cheio de buracos, cicatrizes, pedaços que parece que não combinam…

São essas imperfeições que me fazem sentir que vivi, dei pedaços àqueles que amo ou amei e por isso as cicatrizes mas também recebi, recebi pedaços que por não serem iguais parece que não combinam. Mas é só aparentemente porque se olhar de uma forma mais profunda vejo que esses pedaços encaixam na perfeição. Há ainda os buracos, também me fazem sentir que vivi, são pedaços que ofereci e não foram retribuídos.

Gosto tanto do meu coração imperfeito!

24/06/2011

Obrigada...!

Não posso dizer que este livro seja o sonho de uma vida pois até há pouco tempo atrás não me passava pela cabeça publicar os meus escritos, mas é, sem dúvida, o sonho deste momento. Sempre gostei de escrever e embora escrevesse apenas para as minhas gavetas, a escrita era como um desabafo que transportava para o papel, neste caso para o computador, todo um mundo que ocultava dentro de mim. Mágoas e angústias tornavam-se assim menos pesadas.

Pelas vicissitudes da vida a internet tornou-se o meu mundo e o mundo dos blogues um modo de estar na internet, e foi do meu primeiro blogue que surgiu este livro.
No entanto este blogue não me trouxe só a oportunidade de me publicar em livro, na verdade o livro é uma parte mínima de tudo o que ganhei. E o que ganhei é muito, ganhei afecto, ganhei partilha, ganhei proximidade com pessoas que certamente já estavam pré-destinadas a fazer parte da minha vida pois a amizade é tão intensa que só assim pode ser explicada. Para esses amigos aqui fica uma palavra de reconhecimento:

Ana, minha irmã do coração que me impulsionou para escrever poesia quando eu achava que não tinha jeito nenhum para tal. Fátima, Nela, Vítor, Paulo, Carolina, amigos que jamais descuidam essa condição. E Zé, aquele amigo que está sempre no sitio certo à hora certa.

Também a toda a equipa de profissionais da unidade de cuidados intensivos do hospital de Portalegre que, entre outras que conheci, tem sido o meu suporte de vida quer físico quer emocional.


E à minha família e aos amigos que estiveram sempre comigo, especialmente à minha mãe, fortaleza que me abriga de todas as tempestades.



Quero ainda agradecer à Dra Susana Teixeira que tão prontamente acedeu fazer a apresentação deste livro e com a sua arte torná-lo mais aprazível a quem o quiser conhecer. E ao grupo de teatro amador Umapitadadenós que apesar do receio de “não estar à altura” não quis deixar de me fazer o agrado de recitar alguns dos meus textos e ainda prestar um enorme apoio na organização de todo este evento.


Finalmente, o meu bem haja pelo apoio e também pela organização e divulgação ao Dr. Fernando Pádua, ao grupo de humanização do hospital na pessoa da enf. Maria João Rodrigues, à Raquel, à Sónia e à Florbela.




Fotogaleria:



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18/05/2011

Vida ao Contrário

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Quero ter uma vida invertida
Onde o começo seja o fim da vida
Começar pela morte, ficar logo despachada
E depois… depois continuar a caminhada
Não de marcha à ré mas renovando a fé
Que um dia perdi pela felicidade que não vi
Desfrutando caminhos que me passaram ao lado
Ir por aí à procura de tudo aquilo que não senti
Ter, afinal, a certeza que há muito mais a ser contemplado
Que uma vida é pequena para ser plena
De todas as vivências que cada um deveria ter
Sentimentos, momentos que não são para perder



01/05/2011

Mãe

Mãe
Meu porto de abrigo
És tu que me que me guardas
Das tempestades da vida
Vida que tu me deste
E fizeste crescer com o melhor
Do teu ser

Mãe
Faltam-me as palavras para dizer
O quanto te agradeço
(ou talvez a Deus…)
Por ter sido abençoada
Com a tua protecção…
Amor… carinho…
Ensinamentos de estar e ser!



29/04/2011

Fantasmas

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Estou farta! Só quero gritar basta e mandar embora todos os fantasmas que rodeiam a minha existência, gritar bem alto que me deixem em paz e levem com eles este desassossego que me atormenta a alma. Fantasmas, não os quero perto de mim… nem em mim, não cabem na vida que eu quero, sim que eu quero viver e não apenas existir! Viver como vivem as almas livres, com o coração aberto aos sonhos e o espírito pleno de luz.

Para viver preciso de os largar, esses malditos que me prendem, sufocam, que me matam devagarinho, uma morte em vida que me amarra a medos, angústias e revoltas… sensações que não me ficam bem, nem eu quero que fiquem! Eu só quero arranjar maneira de largar os fantasmas… ou fazer com que eles me larguem a mim…

Dizem que não há quem não os tenha ou não os tenha tido, parece que não há forma de evitar que eles nasçam mas eu sei que há forma de os impedir de crescer, tem que haver e eu tenha de a aprender. Tenho de aprender a manda-los embora!

26/04/2011

Conversa Com As Estrelas

Tinha a dor presa em mim
Brutal, com nós impiedosos
Que não conseguia desatar
Nem com a minha força para viver

Então fui á janela e
Conversei com as estrelas
De olhos posto em mim falei-lhe
De como me sentia pequenina,
Perdida no meu mundo de dor
De como me sentia impotente
Perante o tamanho da minha angústia
Que era a maior de todas

E elas disseram-me
Que levantasse os olhos de mim
E olhasse em frente o horizonte
Que se desenhava no céu
E para lá dele o universo infinito
Que havia à minha volta
Só para mim, e para quem eu quero
Nesse universo que eu posso
Construir á minha medida